Retorno do Blog e Onde Encontrar Novos Textos

Posted: sexta-feira, 7 de agosto de 2015 by Victor Carvalho in
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Bom dia, amigos! A boa notícia é que estamos tramando o nosso aguardado retorno! Durante esse recesso de 4 anos, recebemos várias mensagens de vocês, perguntando o motivo de termos parado. Muita gente pediu que voltássemos a escrever e muita coisa aconteceu desde nosso último texto. Queria, primeiro, agradecer a todos que nos apoiaram e pediram esse retorno durante tanto tempo. Estamos voltando não apenas por uma necessidade de escrever, mas também por causa do carinho que todos demonstraram durante esse tempo em que estivemos parados.

A internet mudou muito desde que paramos de escrever no blog. O Facebook se popularizou incrivelmente e hoje é o McDonalds da internet (ops...). Não só ele, mas as redes sociais hoje dominam o que nós vemos (ou não vemos por aí). Twitter, Instagram, Pinterest, Tumblr... São tantas as mudanças que nós também teremos que nos adaptar. Temos consciência que Blogs estão um pouco "ultrapassados". A moda hoje é ter um canal no Youtube e acariciar a preguiça dos outros com sons e imagens, como se ninguém mais quisesse ler. Bem, nós nunca facilitamos as coisas para vocês, né? Essa não será a primeira vez! Se texto é a contra-mão da internet, seguiremos de cabeça erguida nela. Gostamos de escrever, gostamos de discutir com vocês e continuaremos fazendo isso! Contudo, não voltaremos mais com a plataforma Blogger. Estamos preparando um novo visual e devemos retornar com o Wordpress.

Ah, vocês devem estar se perguntando o que é esse grande "M" no início do texto. Para os que não conhecem, esse é um site chamado Medium. Ele funciona como um misto entre Rede Social e Blog. Você cria um perfil pessoal e pode postar textos, comentar nos textos de outras pessoas ou recomendá-los para que mais gente possa ter acesso. É uma plataforma sensacional e, por isso, convidamos todos vocês a conhecerem. Para quem gosta de bons textos, o site está recheado deles. Tanto eu quanto João já criamos nosso perfil lá. Enquanto o Blog ainda não volta, escreverei novos textos lá, assim como algumas versões atualizadas dos antigos textos daqui. Para ter acesso ao nosso perfil, basta clicar nas imagens ou links no fim do post. Siga-nos, recomende nossos textos, postem no Facebook, no Twitter, na geladeira... Espalhem a palavra (hahah)! E aguardem. Em breve estaremos de volta.

E para quem não conhece ainda, esta é nossa página no Facebook (que também vai sofrer boa reformulação): Uma Cerveja com Hermes. Colocarei as novidades lá, por enquanto.

Já escrevi dois textos novos no Medium. Seguem os links para vocês darem uma conferida:


https://medium.com/@victorsdc

https://medium.com/@joaopereiralc

25 de Maio, dia dos Guerreiros da Toalha

Posted: quarta-feira, 25 de maio de 2011 by João. C in Mesas: ,
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Venho rapidamente apenas para desejar nossos parabéns nerdescamente etílizados a todos vocês que entendem da numerologia do numero sagrado: 42. E especialmente para aqueles que viveram os tempos duros em que ser “uncool” não era “cool”... era mesmo um cu e precisava ter muito amor próprio para seguir com essa vida estranha que a gente levava. 

Aproveito para desculpar-me pelo escasseamento das postagens, por que semestre de TCC é realmente punk pra fazer qualquer coisa.

Segue aí um presentinho do trio Goldfish, com muitas referências nerdescas pra galera caçar aí:


Beijos pra quem é de beijo e abraços pra quem é de abraço. E até a próxima

Nota: Quero ver acharem o Easter Egg sem olhar nos comentários do vídeo.

A Partida, Caronte e a beleza na morte

Posted: domingo, 24 de abril de 2011 by Victor Carvalho in Mesas: ,
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Okuribito (nome original do filme) não é uma palavra muito comum no vocabulário japonês. Ela é usada para representar aquele que envia as pessoas para longe. Algo como o barqueiro Caronte, que transportava as pessoas pelo rio de águas paradas em tempos remotos, quando a mitologia parecia mais factível. Os céticos acreditam em uma não continuação, uma morte niilista. Os cristãos acreditam em céu ou inferno para a alma daquele que se foi. Os espíritas, talvez influenciados pelos budistas (e esses, por sua vez, pelos hindus), acreditam em um ciclo, uma continuação. Eu prefiro acreditar que Caronte me espera. Não importa a forma com que você encara o que acontece depois. De certo modo, é só uma forma de você tentar aliviar o peso do fim. Ou seria de um novo começo? Fim, começo... é fato que o rio de águas paradas terá que um dia ser atravessado por todos nós. Deveríamos agradecer por isso, não temer. Olhando o outro lado da moeda, não estamos a viver mais e mais a cada dia, mas a morrer mais e mais a cada dia. E isso é bom. Sempre tive pena dos deuses, obrigados a seguir infinitamente, sem descanso. Ser mortal, em verdade, foi um presente, uma dádiva.

Em português, o filme se chama A Partida. Difícil é saber de que partida ele realmente fala. Daigo Kobayashi (Masahiro Motoki) é um cellista recentemente desempregado. Daigo persegue um sonho que nunca foi seu. O enorme instrumento de notas graves é um peso em seus ombros. De certa forma ele já encontrou a única forma da morte que devemos temer: aquela que vem antes mesmo de fecharmos nossos olhos pela eternidade. Daigo, então, decide partir. Ele decide voltar à sua cidade natal, no interior, onde ele tem que conviver com outra partida: a de seu pai, que o abandonou quando criança. Lá ele se torna um nokanshi, um emprego aceito por poucos. Nokanshi é o nome dado àquele que, ritualisticamente, prepara o corpo dos mortos para o funeral. Um ritual tão belo e harmonioso que nos faz questionar se a morte é algo tão ruim quanto acreditamos ser. E é justamente ao olhar em seus olhos que Daigo reencontra sua vontade de viver. 

Eu entendo a imensa tristeza de perder alguém que amamos. Mas também entendo que essa nossa atitude é egoísta. Quando choramos a morte de alguém, não estamos chorando pela pessoa, mas por nós mesmos. Choramos por dar de cara com a maior certeza que temos: a certeza do fim, a certeza da partida. Mas, principalmente, choramos por sabermos que não mais teremos a acolhedora presença da pessoa amada. Choramos pela ausência de seus abraços, de seus beijos e de seu olhar. Não choramos por ela, mas por nós mesmos. É difícil, eu sei, mas é necessário entendermos que a partida é necessária. Assim como disse Montesquieu, não devemos chorar quando as pessoas morrem, mas quando elas nascem. Acredito que a vida é que deveria ser representada com um capuz preto e uma foice. “E, ao meditar, então, na paz da Morte,/ Vereis, talvez, como é suave a sorte/ Daqueles que deixaram de sofrer”, afirmara Pedro Homem de Mello, poeta português. Saramago, outro português, também nos mostrou o quão dolorosa seria uma vida eterna. Ambos já se encontraram com o objeto de sua poesia. Quando for a minha vez de entregar as moedas ao barqueiro, o farei com um sorriso no rosto. O difícil será manter esse mesmo sorriso ao fornecer tais moedas a alguém que amo. Será que se pode sorrir e chorar ao mesmo tempo? É... no fim, acho que serei sempre um egoísta. Montesquieu, Pedro, Saramago... entender, eu entendo. O difícil é deixar de sentir.

Elephant, Realengo e o dedo que mostra a lua

Posted: quarta-feira, 13 de abril de 2011 by Victor Carvalho in Mesas: ,
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Escrevo para não matar. A princípio não entendi a força dessa frase, ou melhor: a força desse pensamento. Li-o em um escrito da jornalista Eliane Brum. Afirmara ela que já havia entrevistado muitos escritores e que vários disseram isso quando perguntados sobre o motivo de escrever. O texto? Era sobre um velho (sim, velho... não nos escondamos em eufemismos, por favor) que tentava atravessar um corredor do shopping enquanto pessoas riam de sua situação.  Interessante como não somos capazes de perceber que fazemos vítimas todos os dias, que matamos pessoas todos os dias. Teoria do caos. O bater de asas de uma borboleta no Brasil pode causar um tufão no Oriente. Por que ir tão longe? Uma simples ofensa pode causar um dos mais lamentáveis massacres da história brasileira. Ação e reação. Em sete de abril de 2011 um país aprendeu sobre a terceira lei de Newton fora das salas de aula. Ou deveria ter aprendido.

Em razão do massacre, todo mundo recomeçou a discutir a questão do desarmamento. Por que quanto mais nos apontam a lua, mais nós olhamos para o dedo? Dessa vez olhamos para o dedo que apertou o gatilho. Mas não percebemos que o verdadeiro dedo que atira é o nosso. O meu, o seu, o de todos nós. Você mata quando trata mal o porteiro do seu prédio. Você mata quando ignora a existência de um pedinte na rua (negue o dinheiro, mas nunca, nunca o ignore). Você mata quando ri do velhinho que tenta atravessar o corredor do shopping. Você mata quando xinga, ri, exclui, deprecia e apelida um colega de escola, faculdade ou trabalho. O garoto que dá um tapa na cara do coleguinha hoje é o que bate em um homossexual no metrô mais tarde. O garoto que chuta o colega gordo é o que queima o mendigo mais tarde. Infelizmente, o garoto que sofre também pode ser o garoto que faz sofrer. É o desejo do oprimido em virar opressor. É como o escravo que vira senhorio em Memórias Póstumas de Brás Cubas

Columbine, Estados Unidos, 1999. Longe, não é? Tanto no espaço quanto no tempo. Nesse dia, 12 pessoas também morreram. Doze, assim como em Realengo, no Brasil, em 2011. Doze? Não, não foram doze que morreram naquele dia. Por que não contamos com a morte de Wellington? Talvez seja porque saibamos que, no fundo, nós já o havíamos matado, assim como já havíamos matado aqueles dois garotos que causaram o massacre em Columbine. Há 8 anos, em 2003, com o belíssimo filme Elefante (Elephant), Gus Van Sant tentou nos mostrar a lua. Mas ignoramos seu aviso, continuamos a olhar para o dedo.  Pensamos que aquilo era coisa de americano, maluco. E continuamos nosso massacre do dia-a-dia. Demorou para a borboleta causar um tufão, mas aconteceu.

Não entendo porque culpamos tanto as armas, porque colocamos essa culpa em um fator externo. Não entendo se somos cínicos, cegos ou covardes mesmo. Covardes porque não queremos carregar tantas mortes em nossos ombros. As mortes das crianças de Columbine, as mortes das crianças de Realengo, as mortes diárias que fazemos sem perceber. Um copo só pode encher até o limite em que transborda. Não adianta proibirmos a venda de armas. Não adianta também criarmos uma super política de segurança pública. Nada disso adianta se não mudarmos. Quando vamos perceber que nunca iremos parar um tufão por cortar as asas de uma borboleta? “E a vida já não é mais vida. E no caos ninguém é cidadão. As promessas foram esquecidas. Não há estado, não há mais nação. Perdido em números de guerra. Rezando por dias de paz”. É, meu caro Hebert Viana, não canso de dizer que temos muito ainda a aprender com os poetas, os músicos, os artistas. São eles que nos mostram a lua. Tão próxima e ao mesmo tempo tão longe. Agora eu entendo porque escrevo. Escrevo para não matar. Escrevo para canalizar a raiva que sinto das injustiças. Escrevo para não cometer uma injustiça. Escrevo para evitar que o copo transborde. Escrevo para impedir o tufão. Escrevo para tentar ver a lua. Escrevo para não morrer. Escrevo para não matar. E você, o que faz para não matar?

Ruim com Elas... inexistente sem elas.

Posted: domingo, 10 de abril de 2011 by Victor Carvalho in Mesas:
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Chico Buarque dizia ser um grande desconhecedor das mulheres. Eu já havia falado aqui dessa “coisa mais bela e mais perfeita de toda a criação imunerável” quando falei de outro grande poeta: Vinícius de Moraes. Mas dessa vez falo delas sob outra ótica. A ótica de Chico. A ótica do desconhecimento, do não entender. Ah, mulheres. Contraditórias? Com certeza. Inconsistentes?  Sempre. Incoerentes? Também. Fascinantes? Em sua completude. Fascinantes porque contraditórias, porque inconsistentes. O ser humano só é coerente quando incoerente. E a mulher é seu perfeito exemplo. Conviver com tamanha complexidade requer a arte de conviver com o desconhecer, com o não entender e, acima de tudo, com o contemplar. Ruim com Elas? Pior sem elas. O site é um projeto que veio justamente para contemplar esse não saber, esse desconhecimento. A sua proposta, como a de Chico, é beber desse vinho. Suave, um pouco ácido e encorpado (sim, sempre encorpado), mas com um paladar oscilante. E nunca, nunca seco. A cada vez que você o bebe, o gosto é diferente, ainda que o vinho seja o mesmo.

Lord Byron, poeta britânico, já afirmava que é mais fácil morrer por uma mulher do que conviver com ela. Inclusive, o próprio Byron foi o primeiro a cunhar a expressão que dá nome ao projeto: “terrível é que não é possível viver com as mulheres, nem sem elas”. O Ruim com Elas é uma coleção de tirinhas diárias que, com muito humor, brinca com as situações comuns do dia-a-dia que a inconsistência feminina vem a criar. É simplesmente impossível não se identificar com as situações. Mas a maior característica de suas tirinhas é a simplicidade. Despretensioso até no traço, o Ruim com Elas está lá todo dia (menos nos finais de semana, porque aí ninguém é de ferro) para te mostrar... não... para te lembrar que o caminho para o coração de uma mulher é repleto de pedras. Lembrar, principalmente, que o divertido, e Drummond concordaria comigo, é justamente passar por essas pedras, coletá-las e construir um castelo... ou uma tirinha.

A resposta já nasce morta, a dúvida se imortaliza na arte. E talvez por isso elas, as mulheres, tenham inspirado os homens desde a Antiguidade. Musas. Mulheres serão sempre musas. E aqui eu volto à Chico: “Que será que me dá? Que me queima por dentro, será que será? Que me perturba o sono, será que me dá? Que todos os tremores me vem agitar. Que todos os ardores me vem atiçar. Que todos os suores me vem encharcar”. Não sei, Chico. Que bom que não sei. É tão melhor conviver com esse não saber. Esse não saber que vem no feminino. É o que me fascina e sempre me fascinará. É o que não tem resposta, nem nunca terá. É o que me inspira e sempre me inspirará. Não tem vergonha, governo, juízo, limite, descanso, cansaço, medida, remédio ou receita. Que bom que não tem. Que bom que eu não sei. “Só sei que nada sei” é o que vai estar sempre em meu olhar, em meu toque, em meu paladar. Ruim com Elas... inexistente sem elas. 


E como tudo fica muito melhor com zumbis...

 
Meus amigos do Ruim com Elas, agradeço a homenagem. Aceitem a minha. Para vocês e para as musas que vivem nos inspirando. Visitem http://www.ruimcomelas.com.br/.


Nota

Os comentários são moderados. Opiniões contrárias serão respeitadas, mas comentários depreciativos (aos autores desse blog ou qualquer outra pessoa) serão sumariamente rejeitados. Portanto, nem se dê ao trabalho. Se você ficou nervosinho(a) em decorrência de alguma opinião exposta nesse blog, respire fundo, conte até 10 e vá chorar no pé do caboclo.

Cervejas mais bebidas de todos os tempos!